sábado, 8 de outubro de 2011

NUNO BALTAZAR

COLECÇÃO VERÃO 2012

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EM CONVERSA COM NUNO BALTAZAR

Daily ModaLisboa - Ser designer de moda em Portugal é um desafio? Porquê?
Nuno Baltazar – Acho que é um desafio enorme e às vezes até um pouco angustiante. Trabalhamos num país onde infelizmente as pessoas ainda valorizam muito pouco o que é feito cá. Comparam pouco, conhecem pouco ... É um desafio porque para além do nosso trabalho temos que ir abrindo caminho nessa área da informação, e fazer chegar às pessoas aquilo que nós fazemos. E nisso a ModaLisboa ajuda imenso, as revistas de moda, as novas tecnologias, mas é fundamental que nós também trabalhemos nesse sentido. É um desafio porque no fundo os designers portugueses são dos poucos que trabalham sem associações à indústria. É muito difícil.

- Defina o seu trabalho em 5 palavras a partir de ideias, pessoas, lugares, objectos ou adjectivos.
Intemporal / Paris / Cabo Verde / Fogo / Sexo

- Na sua opinião, quais as peças must-have que não podem faltar no guarda-roupa de uma mulher?
Na minha opinião, os acessórios são fundamentais porque dentro das colecções dos designers, e da minha particularmente, são as peças mais acessíveis, mais versáteis, que permitem múltiplas interpretações e que podem salvar uma peça. Um vestido simples complementado com um cinto e a mala certa e tudo funciona de uma outra forma. Mas acho que o must-have obrigatório de qualquer mulher é um little black dress.

- O que é mais importante para si no momento em que a sua colecção sobe à passerelle?
O que as manequins vão sentir. Na verdade nesse momento não me preocupo muito se as pessoas vão gostar ou não (não penso nisso, não quer dizer que não me preocupe). Penso no que as manequins sentem, porque as pessoas estão só a ver e as manequins têm a roupa vestida e acho que, muito honestamente, a minha roupa se vê ou se sente de dentro para fora e é preciso estar dentro dela para a sentir e isso por vezes nota-se na forma como algumas manequins desfilam para mim. Percebe-se que às vezes um salto ou um vestido faz uma mulher, mas é preciso senti-lo e gostar.

- Quais as suas propostas para a Primavera/Verão 2012?
A colecção chama-se “Ma Dame” e é a primeira vez que me inspiro numa pessoa que eu conheço. Ela chama-se Anna Sophie Baillet e é parisiense. Esta colecção começou por eu estar de alguma forma desiludido com a percepção das portuguesas sobre a moda, pelo facto de olharem para mim e para a marca Nuno Baltazar como se fosse só vestidos de noite ou vestidos cocktail. Não conseguem ver para além disso e perceber que essas peças podem ter outras interpretações. A Anna Sophie Baillet é uma amiga minha parisiense que tem uma proximidade com a moda e tem uma compreensão e interpretação das peças que eu gostaria que as clientes Nuno Baltazar conseguissem ter. No fundo é um pouco um trabalho que sai de mim projectado para aquilo que eu acho que seria o ideal da cliente Nuno Baltazar. A colecção continua a ter uma linguagem muito minha, mas tem picos diferentes ao longo de todo o desfile. Há peças mais casuais, girly, outras mais sofisticadas que não chegam a ser austeras mas são de facto para situações mais especiais, e outras que são para situações diferentes, como uma festa, que não é uma red carpet, mas onde a mulher ousa usar uma peça diferente. É uma colecção que aborda um pouco estes universos diferentes. A nível de cores também trabalha o universo da Sophie Baillet e do gosto dela por exemplo pela escultura. Existe uma primeira parte onde as cores são de materiais de escultura: mármores, marfins, gesso, cal. Depois há um grupo de cores mais doces, quase macarron, muito suaves em peças um pouco mais femininas; o preto como base para contrastes gráficos e para os looks mais sofisticados e mais austeros e depois o verde floresta, o amarelo luminoso e o azul cobalto para os raios de cor que a colecção precisava. A nível de tecidos predomina o crepe porque é easy going, é fluido, pode ser sofisticado mas também pode ser descontraído e depois é misturado com outras matérias como cetins de seda, sarjas de algodão, tecidos que não amarrotem, óptimos para pôr na mala de viagem. No fundo a colecção é pontuada por muitos pensamentos como este: o que é que uma mulher como Anna Sophie Baillet vestiria?



DESFILE

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