sábado, 10 de março de 2012

NUNO BALTAZAR


COLEÇÃO INVERNO 2013

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EM CONVERSA COM NUNO BALTAZAR

Daily ModaLisboa - Como interpreta o tema desta edição da ModaLisboa: Freedom?
Nuno Baltazar - É curioso porque quando comecei a pensar na coleção não sabia o tema da ModaLisboa. Às vezes coincide como meu trabalho, e desta vez aconteceu isso, porque trabalhei a minha visão sobre o universo da Pina Bausch. Há esse trabalho de movimento, expressão e exteriorização de emoções e sentimentos que eu acho que tem muito a ver com a liberdade e com a liberdade artística que ela tinha.

- Considera que tem total liberdade criativa ou sente-se condicionado por tendências, pela opinião do público ou outros fatores?
Não acho que tenha liberdade total. Acho que somos condicionados, eu sou condicionado à mulher portuguesa, ao tipo de mulher que é e como pensa, mas tento conduzi-la a outro caminho e a melhorar-se. Sou sempre condicionado por isso, mas por tendências não: sou atento ao trabalho das outras pessoas, mas não me condiciono pelo que é feito pelas outras marcas. Não tenho liberdade total e acho que isso é bom: o sermos condicionados pode ser, muitas vezes, um input para nos superarmos.

- Qual a “lição” mais importante que já aprendeu ao longo da sua carreira?
A lição aprendi-a cedo. Acho que para nós, criadores, é muito importante aprendermos a olhar para o que fizemos, sabermos reconhecer o que está bem e sentirmo-nos felizes com isso. Viver as vitórias, mas estar também atento ao que está mal, ter sentido crítico apurado, e nunca esquecer isso na coleção seguinte, essa responsabilidade de melhorar. Temos que ter a capacidade de melhorar, e aprender a ser crítico do nosso trabalho.

- Se fosse convidado a criar um monumento para “amantes de moda” como seria?
Seria um porco mealheiro gigante, dourado, com muitas ranhuras. E só eu teria a chave!

- Quais as suas propostas para o Inverno 2013?
A coleção deste inverno tem a ver com o universo da Pina Bausch. Por vezes acontecem determinadas coisas, pessoas que passam pelo nosso caminho e tudo evolui numa determinada direção, e foi isto que aconteceu esta estação. Cruzei-me com uma aluna minha, que é escultura, a Daniela Antunes, e apaixonei-me pelos seus scketchbooks. Ela estava a fazer uma pesquisa sobre a Pina Bausch, fiquei fascinado pela pesquisa e tive imensa vontade de trabalhar este tema, e acabámos por fazer um trabalho de equipa. Outro dos pontos de partida foi a música "The man I love", de George Gershwin e Ira Gershin. A coleção não é uma inspiração na Pina Bausch, mas sim uma interpretação daquilo que eu sinto em relação a ela e dessa música que fala da mulher que espera por um homem grande e forte. Portanto não vamos ter vestidos, lingeries, nem sedas esvoaçantes. Vamos ver uma coleção pensada a nível de desenho de movimento, interceções de drapeados e de franzidos e efeitos de trompe l'oeil, falsas sobreposições que são obtidas a partir de jogos gráficos em cores discretas quase ton sur ton. Há um grande trabalho de ombros, com mangas volumosas formadas com pregas. Depois há uma fluidez que contrasta com peças mais masculinas e aí sim tem a ver com aquilo que víamos no trabalho de Pina Bausch. As cores refletem isso também: o nude, o preto que refletem o universo clássico da coreógrafa, vermelhos e laranjas, tons botânicos que também têm a ver com a celebração da primavera, tons terra ocre e barro. Há um trabalho quase visceral a nível de cor e muito natural, mas com uma carga dramática muito própria da Pina Bausch e que eu acho que também é muito característica do meu universo.



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