quinta-feira, 29 de outubro de 2009

VOYAGER AVEC… LE CORBUSIER

“Voyager avec… Le Corbusier” é o título da mais recente antologia publicada pela marca Louis Vuitton e pela editora La Quinzaine Littéraire. O livro propõe uma cativante viagem pelo universo arquitectónico de umas das maiores figuras da arquitectura moderna, Le Corbusier, e revela, simultaneamente, esquissos de viagem e estudos não publicados que inspiraram as suas construções.

Philippe Duboÿ reuniu uma selecção cronológica de histórias e impressões de viagem — muitas vezes pontuadas por desenhos, um leitmotiv da obra teórica de Le Corbusier — que foram publicadas em diversos jornais e revistas entre 1911 e 1947 e nunca tinham sido reeditadas individualmente. O leitor poderá seguir Le Corbusier nas suas viagens juvenis por Itália, Grécia e Oriente e, posteriormente, nas viagens pela Europa e jornadas intercontinentais à América do Sul e Nova Iorque.

Correndo o mundo em busca de identidade e cultura arquitectónicas, Le Corbusier familiarizou-se com as formas indígenas de construção e de estilo de vida e mergulhou na “verdade adquirida através do contacto frutífero com as casas simples dos homens”. Admirador do classicismo antigo, não se poupou a esforços para manifestar no seu trabalho arquitectónico “a nobreza romana dos trabalhos utilitários” tais como barragens, fábricas ou pontes e teve o sonho de realizar no Rio de Janeiro o ideal grego de uma arquitectura que envolve todo o local, uma das suas preocupações constantes. Mas ao mesmo tempo que reconhecia a “maravilhosa segurança espiritual” garantida aos Ocidentais pela sua tradição, não deixava de sentir curiosidade em relação a tudo o mais, estando sempre pronto a “tirar os chinelos e ir à aventura” com a mente aberta. “Nunca julgo nem julgarei”, “prefiro receber, sempre”, escreveu. No contacto com outras civilizações, “o meu lado ocidental desmorona-se”, disse, “liberta-se da sua incómoda estreiteza, das suas partículas de pele morta. Aquilo que é realmente importante surge mais definido, como que decantado: humanidade, natureza, destino”.

A interacção entre os textos e os esquissos é fascinante. É como se a caneta, instrumento da “alma que sente”, comece por contar “com palavras sinceras que encontrou a Beleza” — daí o estilo lírico apaixonado, rico em devaneios poéticos de fórmulas imaginárias e chocantes. Depois da caneta, vem o lápis, instrumento do “espírito que avalia”, que filtra e define as linhas mais fortes/gerais. Le Corbusier enunciou e revelou, em cada página, o raciocínio do poeta-arquitecto de viagens que era: “Quando viajamos como praticantes de coisas visuais: arquitectura, pintura ou escultura, observamos com os nossos olhos e desenhamos de forma a interiorizarmos — para o domínio da nossa própria história — as coisas que vimos. Assim que se tenham entranhado em nós por intermédio do trabalho do lápis, ficam guardadas para sempre”.

Mais uma obra imprescindível para os amantes da arquitectura moderna.

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