sexta-feira, 10 de outubro de 2014

SANGUE NOVO | CRISTINA REAL


COLEÇÃO VERÃO 2015

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À CONVERSA COM CRISTINA REAL

Daily ModaLisboa - O que representa para si integrar o desfile Sangue Novo da ModaLisboa?
Cristina Real - Integrar o Sangue Novo novamente é mais um voto de confiança. É a minha segunda participação, é uma segunda oportunidade de mostrar o meu trabalho, mostrar uma linha de continuidade de uma coleção para a outra e consequentemente uma evolução tanto do lado criativo como do lado humano. Iniciativas como o Sangue Novo devem existir para que nós, jovem designers, possamos apresentar e divulgar os nossos projetos permitindo-nos criar um trajeto.

- O que a inspirou e quais as suas propostas para o verão 2015?
Esta coleção foi inspirada no trabalho de um arquiteto japonês, o Kengo Kuma, nos seus trabalhos numa fase prematura em que o estudo da forma, o esboço da construção de uma casa – influências nas plantas arquitetónicas - e o seu espaço envolvente são uma forte ligação a este projeto tal como a sensibilidade com a cor, os jogos de luzes e transparências e a sensação de leveza dos materiais fortes. A coleção denomina-se Details. Este conceito surge a partir de um cruzamento de ideias entre dois mundos distintos, a Moda e a Arquitetura. Numa fase inicial o pensamento é a criação, a elaboração de um traço e a construção de uma "planta arquitectónica" que se funde com uma visão ampla e sentimentalista do que é funcional, estrutural, moderno, sofisticado, belo, criativo, cultural e natural. Esta coleção vai sendo criada a partir de linhas retas e linhas curvas que ganham enriquecimento visual através de detalhes exteriores e interiores, onde os vários materiais se fundem numa só forma e cor. As cores não estão restritas a uma estação, a cor é o reflexo do que sentimos no momento, o que a nossa visão capta instantaneamente. A ideia da cor surgiu através da casa Water/Glass, construída em Atami, Shizuoka no Japão, no ano de 1995, em que as transparências, os tons de reflexos dos pretos, azuis-escuros e claros se fundem no vidro. As cores bases são o azul-marinho brilhante, azul denim, azul esbranquiçado, azul metalizado, prata metalizada, preto brilhante, preto transparente, azul claro transparente e o bege pérola. Cada material tem uma função diferente e o arquiteto japonês consegue conjugar os diferentes tipos de materiais e dar-lhes a mesma sensação de leveza e suavidade seja feita em madeira e/ou pedra, essa presença consegue estabelecer uma ligação nas peças por exemplo de pele / organza / pvc / plissados / bordados de missangas onde os materiais se desafiam entre si para ganharem formas envolventes e sofisticadas ao mesmo tempo em que o rigor e delicadeza estão implícitos. As matérias-primas presentes na coleção vão ao encontro das organzas de seda, acetinados brilhante, musseline plissada, pvc transparente, acetatos, denim, algodão, peles metalizadas e bordados de missangas.

- Projetos para o futuro?
É complicado falar no futuro, temos que viver um dia de cada vez, dar um passo de cada vez. De momento estou focada no projeto Sangue Novo e nas repercussões que o mesmo terá na minha carreira de designer. Para realmente falarmos de futuro é necessário uma mudança na área da Moda. Se todos os setores se unissem talvez pudéssemos levar as coisas a um outro ponto. Como jovens criadores e com uma marca em ascensão, os apoios são nulos ou quase inexistentes; recebemos um tratamento diferente por parte das empresas o que torna difícil o nosso trabalho. Deviam existir mais apoios financeiros, parcerias com as empresas, visto que, cada vez mais, jovens desistem das suas carreiras por falta de oportunidades. É fundamental apostar na Moda Portuguesa pois está a surgir uma nova geração de designers, uma geração de talentos, cuja vontade e desejo é de crescer enquanto criador nacional.



DESFILE


FOTOGRAFIAS: RUI VASCO


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