domingo, 10 de outubro de 2010

MARIA GAMBINA


COLECÇÃO VERÃO 2011

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EM CONVERSA COM MARIA GAMBINA

Daily ModaLisboa - É frequentadora assídua do comércio local / tradicional?

Maria Gambina - Sou frequentadora assídua do comércio local porque é mais perto, mais fácil e acima de tudo porque já tenho quase uma relação de "cumplicidade" com as lojas....claro que todo esse comércio local que frequento está relacionado com a mercearia, garrafeira e a florista.

- Se trabalhasse num mercado, o que gostaria de vender?
Gostaria de vender flores, pelo cheiro e pelas cores. Sempre dava para criar arranjos florais e não ficar parada à espera do freguês.

- O excesso, a reciclagem, a sustentabilidade são questões que o acompanham no dia-a-dia? E no processo de desenvolvimento de uma colecção?
Claro que sim...e tento todos os dias transmitir à minha filha.
No processo de desenvolvimento da colecção também. Já utilizei materiais que tinha comprado para outras colecções e que não tinha utilizado, já alterei peças de outras colecções, já desfiz peças para utilizar os fechos ou os ribs.... tento "agora" que as peças sejam economicamente viáveis, não utilizo peles verdadeiras. Quando estou a cortar as peças, faço um plano de corte para poupar mais tecido. Tenho sempre caixas com pequenas sobras de materiais e volta e meia vou ver se algum dá para o vivo ou cordão que pretendia....normalmente dá sempre. Quando estou a fazer os croquis técnicos, encaixo-os muito juntinhos não só para poupar o papel, como para numa só digitalização passar uma série deles para o computador. Tanta coisa…


- Qual a sua definição de beleza?
Beleza, para mim, é harmonia.

- Como descreve a sua colecção para o Verão 2011?
A minha colecção chama-se Inês de Castro, é inspirada nela, aliás os homens só se encontram com as "minhas" Inês(es) no último momento do desfile, quando "elas" já morreram. Talvez porque só nesse momento...refiro-me ao acto da coroação póstuma é que fazia sentido eles aparecerem....não são todos os dias que um homem faz, um tão gesto belo de amor eterno. A colecção têm poucas referências da época, trabalhei uma Inês urbana, rebelde, sexy e romântica. Utilizo uma iluminura sobre a caça dos irmãos Limbourg e associo-a a Inês, no sentido em que também ela era perseguida, não havendo liberdade para o amor que a unia a D.Pedro. Continuo a utilizar elementos que já fazem parte da minha imagem de marca, como os pólos e as t-shirts, mas sempre renovados e com detalhes inovadores. As cintas são subidas e existem volumes nas zonas das ancas. Imagens de frutos em decomposição são a forma que eu utilizei para transmitir uma Rainha que foi coroada depois de morta.
Cada vez dou mais importância aos acabamentos interiores, aos detalhes. Gosto de pensar que quem vai comprar uma peça Maria Gambina se sente especial, porque aquela peça não têm só o que se vê por fora....lá dentro a história continua. Todas as peças no interior tem um vivo com um verso de Camões que eu acho lindo:

“O caso triste e digno de memória,
Que do sepulcro os homens desenterra,
Aconteceu da mísera e mesquinha
Que depois de morta foi rainha”.




DESFILE



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