sábado, 13 de março de 2010

AFORESTDESIGN | LAB

Sara Lamúrias nasceu em Lisboa, em 1976. Licenciou-se em Arquitectura de Design de Moda pela Faculdade de Arquitectura de Lisboa, em 2002.

Em 1998, participa na 5ª edição do concurso Sangue Novo, em parceria com Pedro Cruzeiro. Três anos depois, volta a apresentar o seu trabalho na 7ª edição do mesmo concurso, desta vez a título individual. Após um estágio de seis meses na marca Bless, em Berlim, e de alguns trabalhos de produção para a revista Dependente - suplemento do semanário "O Independente" - Sara Lamúrias dá início a um projecto próprio, ao qual chama “aforestdesign”.

COLECÇÃO INVERNO 2011

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EM CONVERSA COM SARA LAMÚRIAS

ModaLisboa - O que pensa ser fundamental na formação de um designer de moda?
Sara Lamúrias - Acho que o mais importante é a formação e a forma como nos dedicamos. A formação pode ser a vários níveis, pode ser mais teórica ou mais prática, mas o fundamental é a forma como as pessoas se envolvem no processo de trabalho. O que sinto no meu trabalho é que estando a seguir a direcção correcta, a formação é relativa. Pode ter-se muita formação e não se fazer um trabalho muito interessante ou podemos ter pouca formação e conseguir coisas fantásticas. A formação abre-nos caminhos mas é relativa.

ML - Como é que as suas próprias experiências afectam o seu trabalho como designer?
SL - Afectam muito, como é natural. Tudo o que se passa à minha volta, como pessoa sensível que sou, reflecte-se no meu trabalho e normalmente são pontos de partida para depois seguir caminhos específicos, de procura, de investigação e experimentação. De uma forma geral, eu deixo-me colocar em posições em que sinto que vou ser influenciada, não vou à procura de uma coisa exacta, mas a minha postura, a minha atitude é nesse sentido: de estar atenta, de procurar sempre coisas diferentes. Estou sempre a trabalhar a minha sensibilidade.

ML - O que privilegia numa colecção:
- O processo criativo ou o produto final?


SL - O produto é super importante para mim, mas o que me apaixona é o processo criativo. Confesso que chegar ao produto final é muito estimulante, mas o processo de criação é uma aprendizagem única e isso é muito gratificante.

- Padrão ou Forma?
SL - Forma.

- Cor ou Textura?
SL – Textura.

- Verão ou Inverno?
SL - Inverno. Para viver gosto muito do Verão, mas para desenhar prefiro o Inverno, porque deixa mais espaço para as formas, para as texturas. Talvez por viver em Portugal, eu procuro muito brincar com a forma e no Verão sinto que tem de ser tudo muito mais despido, muito mais leve e isso limita-me muito.

ML - Fale-nos um pouco da exposição que vai apresentar hoje. Porque é que optou pelo formato de exposição e não de desfile?
SL - A razão que me levou a optar por uma exposição já me acompanha há algum tempo. Eu gosto mais de trabalhar peças do que coordenados, trabalhar mais o objecto do que o look, logo uma exposição é sempre mais interessante para mim. Depois, é muito importante este modo de enquadrar as peças num espaço e onde há uma folha de sala e tudo está pensado no sentido de um discurso e não de um momento efémero como o da passerelle. Assim, as pessoas têm algum tempo para verem e entenderem as peças. Já há algum tempo que queria fazer uma instalação e a oportunidade surgir agora.

Qual o conceito que está por detrás da mesma?
SL - O título - “I am a strange loop” – é retirado do livro de Douglas Hofstadter. Senti necessidade de entender o que se estava a passar comigo enquanto designer e comecei a pensar em linhas que definem o meu trabalho e, por acaso, encontrei a resposta através de Lewis Carroll. Acho que o meu trabalho nos últimos anos tem algo a ver com a Alice no País das Maravilhas, onde os animais são objectos e isso tem um pouco a ver com o trabalho que tenho desenvolvido. Através deste autor comecei a ler sobre coisas do seu quotidiano e do seu trabalho e da forma como o processo criativo afecta as pessoas e fiquei muito envolvida na relação entre o artista e o público. Aí comecei a entender o meu processo e a questionar-me porque é que eu visto e gosto de vestir pessoas? Podia ser escultora, mas de facto acho que o vestuário ocupa um espaço muito íntimo de uma pessoa, dá-lhe uma vida muito própria, comunicar comigo. Por um lado, é muito conceptual, mas depois é design porque eu também penso numa pessoa e é essa troca que me entusiasma! Nesta colecção trabalhei 4 vias: o reflexo, a ideia continuidade, soul charts, que tem a ver com a forma que o nosso trabalho vai adquirindo. As peças têm texturas, têm padrões, mas os padrões vão mudando de textura, ou seja é o mesmo padrão mas com diferentes interpretações. As outras peças funcionam um pouco como um reflexo, um espelho, o modo como as ideias passam entre o criativo e o público. A colecção é essencialmente sobre essa relação.



EXPOSIÇÃO NO MUDE - MUSEU DO DESIGN E DA MODA

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