domingo, 14 de março de 2010

VÍTOR | LAB

Vítor Bastos, nascido em S.Paulo em 1986, vem para Portugal em 2004 e estabelece-se no Porto, onde estuda Design de Moda no CITEX. Em 2007 apresenta o projecto “Diamond Dogs” no âmbito do concurso Jovens Criadores 07, e lança a marca de vestuário masculino OFILHOBASTARDO.

Em 2008, participa na exposição colectiva do projecto bi-silque, por João Pedro Vasconcelos, com uma intervenção em memo board de cortiça. Faz um estágio com a criadora Lidija Kolovrat e desenvolve uma mini colecção de pólos para a Kolovrat ConceptStore.

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COLECÇÃO INVERNO 2011




EM CONVERSA COM VÍTOR

ModaLisboa - O que pensa ser fundamental na formação de um designer de moda?
Vítor - A experiência e trabalhar ferramentas, que só se ganham à medida que se vai trabalhando em moda. Há sempre imensas ferramentas que vão aparecendo através de um processo cíclico, e isso é o que mais me fascina nesta área. Vou começar a estudar outra vez, precisamente porque esta é uma forma de trazer novas ferramentas para a moda. É fazendo que se aprende.

ML - Como é que as suas próprias experiências afectam o seu trabalho como designer?
V - Entre a outra colecção e esta, mudei-me para Berlim e foi muito engraçado porque foi a primeira vez que trabalhei à distância. Trabalhei o desenho técnico e muitas coisas só vi quando cheguei cá. Mandava uma amostra de tecido, recebia o molde... Em Berlim desenvolvi mais o tricot, que foi uma ferramenta que aprendi quando estive a estagiar na Bless, enquanto que o resto da colecção foi feita em Portugal. Esta experiência foi de loucos, mas já sei como funcionar desta forma o que, para mim, é um grande passo.

ML - O que privilegia numa colecção:
- O processo criativo ou o produto final?

V – O processo criativo vai influenciar o produto final. A apresentação desse produto é muito rápida, em 10 minutos, e o que se vê é o produto não é o processo criativo, mas este é extremamente importante. Acredito que temos de saber fazer um balanço entre os dois.

- Padrão ou Forma?
V - Eu sou mais forma, mas esta colecção é mais padrão. Normalmente aposto sempre nos lisos, como na colecção passada, mas desta vez arrisquei mais os padrões.

- Cor ou Textura?
V - Não há cor sem textura. Acho que tudo parte da cor e que esta tem um peso que não tem a textura. Acho que se apresentarmos uma cor em seda e essa mesma cor num tecido opaco, fica completamente diferente.

- Verão ou Inverno?
V - Inverno, porque para mim é uma estação nova. Vivi em S.Paulo e lá não se nota muito a diferença das estações, é muito similar o ano todo. Quando vim para Portugal é que percebi o que é ter um guarda-roupa de Inverno e um de Verão e acho o Inverno muito mais interessante e aliciante para trabalhar.

ML - Fale-nos um pouco da colecção que vai apresentar hoje.
V - Esta colecção é uma resposta à anterior. Fala sobre a Macedónia que tem imensos problemas sociais devido à Grécia, que foi o tema da última colecção. É como uma antítese, esta é muito mais escura do que a anterior e a base do trabalho é a identidade e a falta dela. A ideia é criar um ambiente. A Macedónia não se chama Macedónia chama-se Former Yugoslav Republic of Macedonia e é precisamente essa crise de identidade que eu estou a trabalhar na colecção. Tenho cores muito quentes no início e cores muito frias no fim, e no meio tenho um fio que alinhava toda a colecção. Trabalhei com seda, lã virgem, e dentro desse leque tenho múltiplas informações. São informações de textura, que ajudam a criar essa crise de identidades.



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