sexta-feira, 12 de março de 2010

KATTY XIOMARA

Com um estilo urbano e descomprometido KATTY XIOMARA tem vindo a afirmar a sua marca no mercado desde 1997.

A sua carreira tem sido pontuada por diversas colaborações com empresas têxteis para as quais desenha colecções (Ramirez e Raul, Valindo, Fernando Valente & Cª, TRL – Têxteis em rede, Lda.) ou uniformes (Facies, LusoLook) e com o CITEX, escola onde se formou em Design de Moda e onde lecciona actualmente uma cadeira.

A par das inúmeras participações em desfiles colectivos em Portugal e no estrangeiro, apresenta as suas colecções com regularidade na MODALISBOA, desde 1998.

COLECÇÃO INVERNO 2011

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EM CONVERSA COM KATTY XIOMARA

ModaLisboa - O que pensa ser fundamental na formação de um designer de moda?
Katty Xiomara - A escola é fundamental e os professores que temos são também um ponto de inspiração para nós próprios, para sabermos o rumo a seguir ou a forma como tomar certas iniciativas. Agora o essencial acho que é a parte técnica, aprender, porque o resto já tem muito a ver connosco, com aquilo que conseguimos decifrar do resto, do geral. E não falo apenas do Mundo da Moda, mas de tudo daquilo que conseguimos associar e extrair da sociedade para traduzir no nosso trabalho e isso acredito que aprendemos com o tempo. Obviamente que quanto mais técnica tivermos melhor nos tornamos e mais facilmente evoluímos na parte mais subjectiva da criação, da inspiração, do saber como construir a colecção. Há partes técnicas que realmente se aprendem na escola mas há outras que só se aprendem trabalhando, experimentando. Penso que isto acontece em qualquer profissão, mas acho que no nosso caso a parte prática e a parte técnica são uma boa base de trabalho para tudo o resto.

ML - Como é que as suas próprias experiências afectam o seu trabalho como designer?
KX – Criativamente acho que é muito difícil, pelo menos no meu caso, separar as águas. Eu vivo com o trabalho, não consigo separá-lo da vida pessoal. Sei que há quem consiga, mas eu não, portanto tudo aquilo que me acontece acaba por se reflectir no meu trabalho.

ML - O que privilegia numa colecção:
- O processo criativo ou o produto final?

KX - É tudo importante, agora depende um pouco do destino. Por exemplo, a primeira parte da colecção foi pensada e canalizada para uma situação comercial: as primeiras apresentações são feitas em feiras, showrooms, aos compradores. Aí realmente o produto final é muito importante, mas sem descurar a parte criativa, porque esta é a pré-conclusão da peça final. Uma não choca com a outra, uma não tem de falhar para a outra ficar bem, mas neste caso a preocupação inicial é sobretudo o produto final. Este tem de ter a melhor qualidade possível e a melhor aplicação final possível. Em relação à colecção de desfile, gosto também de ir ao pormenor, embora nesta situação realmente não haja a mesma possibilidade de observar tão detalhadamente uma peça.

- Padrão ou Forma?
KX- As duas são importantes, mas eu gosto particularmente da parte gráfica, tudo o que são padrões, desenhos, portanto escolho o padrão.

- Cor ou Textura?
KX – Cor

- Verão ou Inverno?
KX – Verão. Sou uma pessoa em que na maior parte da sua vida lidou com o Verão, como uma única estação. As 4 estações são novas para mim e adoro o Inverno. Talvez até prefira conceber a colecção de Inverno, mas falando apenas nestas duas palavras – Inverno, Verão - escolho o Verão.

ML - Quais são as suas propostas para o Inverno 2011?
KX - Esta é uma colecção bastante geométrica que tem como base o tangram, que é um quebra-cabeças chinês constituído por 7 peças, que hoje em dia é muito utilizado no sistema pedagógico de crianças, mas é extremamente antigo. Só com 7 figuras geométricas mas consegue formar uma infinidade de figuras. Embora seja baseada no Tangram, a colecção não é extremamente geométrica, porque eu também não sou uma pessoa extremamente estruturada, nem eu, nem por norma as minhas colecções. Há, portanto, um entrecruzar do normal, do romantismo, de linhas soltas com esta estrutura do próprio tangram e, neste caso, os padrões são extremamente importantes. São padrões nossos, originais, e brincam com a construção de formas. Em algumas peças notamos que há uma estrutura, mas isso não significa que pretenda ser uma colecção origami.



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