sábado, 13 de março de 2010

LARA TORRES | LAB

Nascida em 1977, Lara Torres formou-se em Design de Moda na Magestil (1992) e no CITEX (2003). Entre 1996 e 1998, tirou um curso de joalharia na escola António Arroios, em Lisboa.

Depois de participar em diversos concursos e exposições de moda e de estagiar com o joalheiro Stephan Maroschek e com os designers portugueses Paulo Cravo e Nuno Baltazar, começa a trabalhar como designer freelancer para as empresas Nódoa Design, C.C.T e R.P.B Têxteis e Vestuário Riopele Grupo.

EM CONVERSA COM LARA TORRES

ModaLisboa - O que pensa ser fundamental na formação de um designer de moda?
Lara Torres - Acho fundamental a pesquisa.

ML - Como é que as suas próprias experiências afectam o seu trabalho como designer?
LT - Acho que afectam profundamente, as coisas que vejo têm sempre e inevitavelmente repercussões no trabalho que estou a fazer ou que vou fazer a seguir. Às vezes, situações da minha vida pessoal acabam por ter algum peso naquilo que é o resultado final do meu trabalho.

ML - O que privilegia numa colecção:
- O processo criativo ou o produto final?

LT - O processo criativo, sem dúvida nenhuma. O meu trabalho tem tudo a ver com o meu processo criativo e muitas vezes nem sequer estou a pensar no que vai ser o produto final. Nesta edição, o meu produto final é um vídeo e isso é consequência do desenrolar de um processo e o processo pediu, no fundo, que o resultado fosse este.

- Padrão ou Forma?
LT - Forma.

- Cor ou Textura?
LT - Textura

ML - Fale-nos um pouco da exposição que vai apresentar hoje. Porque é que optou pelo formato de exposição e não de desfile e qual o conceito que está por detrás da mesma?
LT - É uma longa história. Na última edição da Moda Lisboa já tinha começado um processo de auto interrogação acerca do que é que pode ser o trabalho de moda. Desde o início do período da crise, que eu tive uma tomada de consciência muito grande sobre o que isso podia dizer. Será que esta é uma crise de valores ou só uma crise económica? Em relação ao meu trabalho, isso acabou por se tornar num projecto de performance e nesta estação esse questionamento acabou por se tornar num objecto de vídeo. Penso que tem a ver com uma necessidade da minha parte de repensar o vestuário e não necessariamente pensar numa colecção ou naquilo em que posso oferecer como produto ao meu consumidor. Posso oferecer um questionamento ao meu consumidor e não necessariamente um produto. E a minha opção de apresentar uma exposição ou uma performance está absolutamente centrada nisso, na necessidade de questionar. A instalação vídeo que proponho é um questionamento sobre o vestuário e a relação que temos com o vestuário, que neste momento se está a tornar extremamente fugaz e efémera. Era muito importante controlar e daí essa crítica e esse ponto de interrogação serem mais importantes do que apresentar uma colecção.



EXPOSIÇÃO NO MUDE - MUSEU DE DESIGN E DA MODA

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Fotografias: Matilde Travassos




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