domingo, 14 de março de 2010

NUNO GAMA

Nuno Gama nasceu a 22 de Abril de 1966, em Azeitão. Em 1986, foi para o Citex-Porto, onde cursou Design de Moda. Inicia muito cedo a sua colaboração com a Indústria Têxtil e começa a vender as suas colecções em lojas seleccionadas de Lisboa e Porto.

Desde sempre que faz parte do grupo de Criadores da ModaLisboa, onde inicia a sua carreira internacional, em eventos como SHEM, GAUDI e tantos outros a nível nacional.

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COLECÇÃO INVERNO 2011




EM CONVERSA COM NUNO GAMA

ModaLisboa - O que pensa ser fundamental na formação de um designer de moda?
Nuno Gama - Eu acho que para um designer de moda tudo é importante: o cozinhar, o respirar, o olhar. Acho que devemos saber observar e interpretar a vida no seu geral e devemos trabalhar essa informação de alguma forma e passá-la aos outros com transformações nossas, porque no fundo isto é tudo roupa, toda muito parecida uma com a outra, mas ao mesmo tempo muito diferente e essa diferença tem exactamente a ver com o facto de colocarmos todo o nosso mundo no nosso trabalho, toda a nossa autenticidade, todo o nosso carinho. Não há nada que não seja importante, só assim é que conseguimos fazer a diferença.

ML - Como é que as suas próprias experiências afectam o seu trabalho como designer?
NG - Afectam a 100%. A minha evolução não tem a ver com aquilo que as pessoas gostariam que eu fizesse, mas com aquilo que o meu cliente quer, com aquilo que eu vendo e que eu acho que as pessoas estão à espera e gostaram mais. São essas coisas todas que vão dar o resultado final.

ML - O que privilegia numa colecção:
- O processo criativo ou o produto final?

NG - O produto final para mim é super importante. Penso que todas as ideias são boas só depende da forma como são trabalhadas, ou seja o molde, a peça e a sua vestibilidade, o tecido, os acabamentos e o conforto. Enquanto as mulheres aguentam o desconforto porque desde pequenas aguentam os saltos altos, porque já estão preparadas psicologicamente para isso, o homem é diferente, é extremamente rigoroso e exigente. O homem veste, sente-se bem e confortável, óptimo, mas se há um desconforto de um tecido, se há uma manga que prende ou está mais apertada, já não quer. Acho que o homem é mais difícil. As senhoras comportam mais ou menos tudo, se tiverem de estar apertadas mas geniais e fantásticas excelente, mas o homem não é assim. Às vezes, quando começo uma colecção sinto-me no mar alto, olho à minha volta e nunca mais vejo terra, até que a vejo, ponho os pés no chão e o trabalho flui.

- Padrão ou Forma?
NG – Ambos.

- Cor ou Textura?
NG – Ambas.

- Verão ou Inverno?
NG – Eu pessoalmente sou muito Verão, adoro praia e mar, mas as colecções de Inverno são muito mais ricas, porque os tecidos têm muito melhor qualidade para serem bons, temos mais peças, as gabardines, as peles, os blusões, os casacos. Acho o guarda-roupa de Inverno muito mais rico do que o guarda-roupa de Verão.

ML – Fale-nos um pouco da colecção que vai apresentar hoje.
NG - É uma colecção da qual gosto muito. Partiu tudo de uma história de tecidos, que era o Burel. Apetecia-me muito trabalhar os sobretudos, porque fazia sentido perante aquilo que estou a vender neste momento. Os meus clientes gostaram da colecção anterior e foi muito comentada e apetecia-me trabalhar os casacos assertoados, coisas grandes, volumes, matérias-primas e cortes. O burel fez todo o sentido naquele momento e a partir pensei: Burel Trás-os-Montes, Trás-os-Montes faz sentido com os caretos, os caretos fazem sentido com os Pauliteiros de Miranda, os Pauliteiros de Miranda usam o lenço do Minho, nós já usámos o lenço do Minho mas vamos usá-lo de outra maneira. De repente, é como se as peças se reunissem todas numa espécie de cubo e se começassem a juntar por elas próprias.



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